a rever os dias que não vivi
os dias em que deixei de ser
os dias em que não tive coragem
Pulsou-me um frêmito flamejante
hoje a manhã bateu-me forte
hoje eu caí da cama
hoje uma rosa esbofeteou-me
Assaz triste deixou-me o sonho
que sonhei na vívida noite
por estradas eu corria aturdido
acordei afogado em misérias
Quase perdi minha bússola
Quisera eu deveras perde-la
quase afundei-me no limbo
quase parti-me ao meio
Nos olhos frios da má atriz
nas visceras da escultora
nas pálpebras do violonista
perdi-me do meu caminho
Ando a sentir desatinos,
nas alamedas de meus tormentos
tracei inúmeros sentidos
joguei-me para fora deles, desandado.
| Imagem: Venha, Itapetinga. 2010. |