Agora, em minhas mãos estafadas
mulheres dão à luz crianças chorosas
Outras, mortas, lançam seus espíritos
sobre casas rotas, às avessas, noite afora
mulheres dão à luz crianças chorosas
Outras, mortas, lançam seus espíritos
sobre casas rotas, às avessas, noite afora
Marteladas explodem em paredes tortas
rãs chacoalham o ar com cantorias
neste instante, há paz no lar da cotovia
corujas piam em colinas assombrosas
Vacas ruminam mugidos severíssimos
Motores falam por estalos automáticos
mensagens provocam estampidos
em celulares de noivas sorumbáticas
Exercitam-se em celas de cimento
freiras insones digerem seus tremores
Assassinos aprontam as ferramentas
enquanto estanco sangramentos
Rimas pairam confiantes no poeta
que se acerca de verdades interditas
a colar sua voz na goela d'um periquito
Criam-se luzes no céu das coincidências
arregala-se o olho triste do palhaço
justamente, quando boceja de cansaço.