sexta-feira, 22 de junho de 2007

Poesia irresponsável
trolha sem rimas
navalha cega a rasgar a cara
reconhecida imprecisão literária

inspiração dispensável
beijo de novela
insípida palavreada
purulentos versículos

mortadela vencida
pior que outra coisa
branca encardida
sangue pelo nariz

lírico excremento
musgo sacrossanto
cai lá, cai cá
bestial cacofonia

pela greta da cabeça
e pela ponta de lança
na guerra perdida
derrocada merecida

ignorância performática
lata de açúcar vazia
sem métrica, sem chão
flatulência, latrina

sem um pingo de juízo
sem meio de sobrevida
sem dó, nem perdão
irresponsável poesia. 
 

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Devo revelar que sou um santo
acrescentar que me deito
às oito e meia e acordo
ao meio dia
na manhã de sonho
eu pavoneio
por devaneios precisos
torno-me divino
evoluo pelo espírito

se sonho, eu canto
se abro os olhos
é cedo e engulo flores
para sentir melhoramentos
o revestir certos instantes
com a alma da poesia.
Assim, de mim espere nada
do que se espera da formiga
minha guerra, hibernação
minha paz, cantoria

Novamente ao entardecer
incito-me a caminhar
pela via do meu sono.
Os mistérios da divindade
aparecem pela madrugada
madrugar para Deus é estar
atento no avesso das horas
portanto sou um santo,
gravo aqui esta certeza
pela lua confirmada.