Somos todos feios
nas Humanidades
com línguas soltas
bonés e calças rotas
peles flácidas
anti-atléticos
entre esquálidos
barbudos pálidos
Carecas malvados
jovens míopes
velhos cansados
amarelados cínicos
Bigodes pardos
sabem a cigarros
supersticiosos ateus
em densos cavanhaques
Autoridades do verbo
solenes improvisações
causam-me riso as saias
das mulheres sem batom
Autocratas enrustidos
vertem maus-cheiros
doutores raivosos
sobre livros mofados
Somos todos feios
fedidos malquistos
sob os escombros
das Humanidades.
segunda-feira, 22 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Retrato

Um personagem evoluiu em meio à bruma
e fez um verso d'uma sombra matinal:
"por detrás da escravidão fabril,
dos integrados à sociedade,
e da moderna tecnologia
transita a fome estreita.
Uma dor contrita minha alma espreita,
sua língua instruída expressa minha ignorância."
Minha cara ligada ao meu pé silvícola
afro-descentende enfim compreendeu:
sobreviver à minha existência
era o que me restava até eu ler
o que aquele brumado personagem revelou:
sua infância suja, maltratada,
desviada, enraivecida antes dos cinco
e antes dos dez a cachaça,
a ingrata ciência brasileira
da nossa absoluta miséria.
sua infância suja, maltratada,
desviada, enraivecida antes dos cinco
e antes dos dez a cachaça,
a ingrata ciência brasileira
da nossa absoluta miséria.
Quinta-feira, Junho 29, 2006
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