Quanto menos se tem, menos se carrega
quanto menos se carrega, menos se cansa
quanto menos se cansa, menos se perde
quanto menos se perde, menos se chora
Quanto menos se chora, mais se observa
quanto mais se observa, mais se conhece
quanto mais se conhece, mais se encanta
quanto mais se encanta, mais se sorri
Quanto mais se sorri, menos se espanta,
quanto menos se espanta, mais se aprende
quanto mais se aprende, menos se perde
quanto menos se perde, mais se tem - e se vive.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Futuro atrás
Ligado a um futuro próspero
a um dia próximo
a procurar por mim
com uma lanterna
em meu encalço
a sorte lança
uma granada
em minha lágrima
a tarde se cansa
de estar quieta
e pare uma noite
um tanto áspera
sem pão nem leite
presente assusta
passado espera
outra conduta
(o futuro alcançou
a casa aberta
e se posicionou
atrás de mim)
Meu nó e meu laço
coordenadas no retrovisor
bussola atrapalhada
Mil janelas abertas
solavanco do futuro
ele me toca, e eu vou.
a um dia próximo
a procurar por mim
com uma lanterna
em meu encalço
a sorte lança
uma granada
em minha lágrima
a tarde se cansa
de estar quieta
e pare uma noite
um tanto áspera
sem pão nem leite
presente assusta
passado espera
outra conduta
(o futuro alcançou
a casa aberta
e se posicionou
atrás de mim)
Meu nó e meu laço
coordenadas no retrovisor
bussola atrapalhada
Mil janelas abertas
![]() |
Foto: Internet |
ele me toca, e eu vou.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Da geléia espessa
Sendo o passado uma geleia espessa
onde vidas transitam fantasmagóricas,
de sua escura e encardida gosma
poderíamos subtrair qualquer certeza?
Compostas por fugas na surdina
de beijos longos entre paredes rotas,
a história, dita ciência, torna incertos
os relatos que revelam antigas eras
sujeitos que não figuram entre escolhidos
são autores de máximas façanhas:
jamais haverá, porém, arqueologia
que reconheça suas personalidades
Porque na geleia púrpura, submersas,
caras e mãos dos mártires somem,
anônimas entre as oferendas aos deuses
dos faraós, dos chás e de essênios monges
As mãos que escreveram os pergaminhos
não assinaram este novo testamento
tal qual a mulher, de Magdala
enterrada viva por machistas de batina
O passado floreado que a nós chega,
com nomes e músculos torneados
de gênios com discursos carismáticos,
não corresponde à realidade dos fatos.
Na enorme poça funda e embaçada
perde-se a luz do seu conteúdo:
dedos sem anéis a fiarem o tempo
e concubinas entre nobres aposentos.
Vale pensar que na vida após a morte
encontraremos as versões fidedignas
das idas e vindas dos acontecimentos.
Nossos olhos mergulham em gosma escura
vitimados pela sombra da injustiça
suplantados por histórias mal contadas.
onde vidas transitam fantasmagóricas,
de sua escura e encardida gosma
poderíamos subtrair qualquer certeza?
Compostas por fugas na surdina
de beijos longos entre paredes rotas,
a história, dita ciência, torna incertos
os relatos que revelam antigas eras
sujeitos que não figuram entre escolhidos
são autores de máximas façanhas:
jamais haverá, porém, arqueologia
que reconheça suas personalidades
Porque na geleia púrpura, submersas,
caras e mãos dos mártires somem,
anônimas entre as oferendas aos deuses
dos faraós, dos chás e de essênios monges
As mãos que escreveram os pergaminhos
não assinaram este novo testamento
tal qual a mulher, de Magdala
enterrada viva por machistas de batina
O passado floreado que a nós chega,
com nomes e músculos torneados
de gênios com discursos carismáticos,
não corresponde à realidade dos fatos.
Na enorme poça funda e embaçada
perde-se a luz do seu conteúdo:
dedos sem anéis a fiarem o tempo
e concubinas entre nobres aposentos.
Vale pensar que na vida após a morte
encontraremos as versões fidedignas
das idas e vindas dos acontecimentos.
Nossos olhos mergulham em gosma escura
vitimados pela sombra da injustiçasuplantados por histórias mal contadas.
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