Ontemassisti "Melancolia", de Lars von Trier, e "Os filhos de João", sobre os Novos Baianos.
Eu, a cada filme de Lars von Trier que assisto, fico me esquivando de dizer que ele é o que eu considero o maior cineasta deste tempo! Talvez um dos últimos cineastas...
Ele consegue alterar completamente o modo de se construir uma obra cinematográfica, utilizando os elementos mais básicos da técnica: a luz e a câmera. O filme começa e termina com um apuro visual como poucas vezes eu vi. São imagens pungentes, em lentíssimo movimento, com aquelas atrizes, o menino-ator, o cavalo Abraham... os passos de Claire se afundando na lama, o eletromagnetismo nas mãos de Justine. As cenas narrativas, por sua vez, foram filmadas com steady cam, o que fez deste equipamento uma perfeita realização de subjetividade.
Eu estou tomado por "Melancolia".
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| Uma câmera na cabeça e uma ideia na mão |
Nada é mais bonito do que a entrega do ator e da atriz às suas personagens.
Kristen Dunst divina como Justine, com o corpo delgado, voluptuosa. Charlotte Gainsbourg é minha ídola. Delineou sua Claire com as nuances que o texto exigia, sem tirar o brilho resplandescente da colega, Dunst, que se mostrou assustadoramente bela; esta bela "Melancolia", que contra nós se chocará e nos destruirá, sem dó.
Além da boa surpresa ao ver Alexander Skarsgård abrir o filme, o vampiro Eric Northman de True Blood, que representou o noivo desprezado de Justine.
Estou profundamente tocado por este filme.
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| Quase perdida, Baby? |
O documentário é recheado com entrevistas, especialmente de Tom Zé, e boa coleção de imagens de arquivo. Tem problemas na mixagem, custa-se a se acostumar com a diferença do volume do som das falas em relação ao da trilha sonora. Porém, o filme conseguiu manter a memória do "conjunto" de música excepcional, esclareceu a influencia seminal de João Gilberto e me deixou triste por Baby desautorizar o uso de sua entrevista. Queria compreender a sua atitude! Acho que pode ter sido pela alusão à prostituta "Baby Consuelo", personagem do filme "Caveira My Friend", cujo nome acabou por ser imortalzado por ela, a atriz que a interpretou nos anos de 17970. Mas, por hora ela se denomina Baby do Brasil.
A noite continuou, deu voltas um tanto sinistras e me trouxe de volta a Kate Bush. Não sem antes me fazer "virar o carro" e sentir a alegria segura do filho de Claire, e o desespero final desta. Ver Justine nua, sob o azul de "Melancolia", dias antes dele se chocar contra o pequeno castelo de John.
A viagem continua...

