Sábado, Setembro 17, 2011

"Por que não viver esse mundo, se não há outro mundo?"

Uma viagem transforma gente em parafuso, em vento, em sombra, em mar, em sol, em cinema, em mato. 
Ontem, antes de sair para uma noitada inusual, assisti "Melancolia", de Lars von Trier, e "Os filhos de João", sobre os Novos Baianos.


Eu, a cada filme de Lars von Trier que assisto, fico me esquivando de dizer que ele é o que eu considero o maior cineasta deste tempo! Talvez um dos últimos cineastas...


Ele consegue alterar completamente o modo de se construir uma obra cinematográfica, utilizando os elementos mais básicos da técnica: a luz e a câmera. O filme começa e termina com um apuro visual como poucas vezes eu vi. São imagens pungentes, em lentíssimo movimento, com aquelas atrizes, o menino-ator, o cavalo Abraham... os passos de Claire se afundando na lama, o eletromagnetismo nas mãos de Justine. As cenas narrativas, por sua vez, foram filmadas com steady cam, o que fez deste equipamento uma perfeita realização de subjetividade.


Eu estou tomado por "Melancolia".

Uma câmera na cabeça e uma ideia na mão

Acho que Lars von Trier representou minha fantasia de "fim de mundo 2012".


Nada é mais bonito do que a entrega do ator e da atriz às suas personagens.
Kristen Dunst divina como Justine, com o corpo delgado, voluptuosa. Charlotte Gainsbourg é minha ídola. Delineou sua Claire com as nuances que o texto exigia, sem tirar o brilho resplandescente da colega, Dunst, que se mostrou assustadoramente bela; esta bela "Melancolia", que contra nós se chocará e nos destruirá, sem dó.


Além da boa surpresa ao ver Alexander Skarsgård abrir o filme, o vampiro Eric Northman de True Blood, que representou o noivo desprezado de Justine.


Estou profundamente tocado por este filme.




Quase perdida, Baby?
Ainda bem que à noite, para tentar restaurar um pouco do conforto, comecei por assistir "Os Filhos de João". Eu equiparo os Novos Baianos aos Mutantes e aos Secos e Molhados.

O documentário é recheado com entrevistas, especialmente de Tom Zé, e boa coleção de imagens de arquivo. Tem problemas na mixagem, custa-se a se acostumar com a diferença do volume do som das falas em relação ao da trilha sonora. Porém, o filme conseguiu manter a memória do "conjunto" de música excepcional, esclareceu a influencia seminal de João Gilberto e me deixou triste por  Baby desautorizar o uso de sua entrevista. Queria compreender a sua atitude! Acho que pode ter sido pela alusão à prostituta "Baby Consuelo", personagem do filme "Caveira My Friend", cujo nome acabou por ser imortalzado por ela, a atriz que a interpretou nos anos de 17970. Mas, por hora ela se denomina Baby do Brasil.



A noite continuou, deu voltas um tanto sinistras e me trouxe de volta a Kate Bush. Não sem antes me fazer "virar o carro" e sentir a alegria segura do filho de Claire, e o desespero final desta. Ver Justine nua, sob o azul de "Melancolia", dias antes dele se chocar contra o pequeno castelo de John.


A viagem continua...





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