Domingo, Setembro 18, 2011

Igual ao teu

Ao fabricar do veneno igual ao teu
e dá-lo de beber a quem me quis
eu compreendi perfeitamente
parte substancial de tuas razões

a saliva deste amor
nectar de sensações
ditas e malditas,
delícias obtusas

duas formas sucessivas
frescas, suaves, fatigantes
e também ácidas, furtivas
a corroerem os encantos

este amor esquisito
fraqueza da natureza
ilusão desmedida
embriaguez perigosa

Amor demasiado
excede a pimenta
grave, acinzenta
o céu de brinquedo.

Quando dei de beber
do mesmo pote, veneno,
a alguém que não tu,
saquei teus motivos

escancarei tua vida
atestei tua verdade,
- mão à palmatória -
aceito a despedida

Como se nada mais restasse
veio o último suspiro calmante
"o sorriso do gato de Alice"

Olho ao lado, outra criatura
adormece, com uma gota
deste amor igual ao teu.

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