Quarta-feira, Julho 27, 2011

Em nome de Deus, roubam

Roubam as horas
o pão e a semente
o olho da menina
Do cavalo, roubam a crina

Da ave, levam as penas
a dor da cantilena
do doce, a rapadura
do confete, o carnaval

Roubam, sem vergonha
o vasto reino da história
do oceano, roubam a costa
Em nome de Deus, a razão

Roubam versos e prosas
roubam fás, rés, mis e dós
da terra, o lumiar da aurora
da fauna, roubam a flora

Roubam renitentes
o frêmito brilhante
do espírito da memória

Roubam, indigentes
a humanidade da cantora
depois de morta

Roubam, sem pesar
o gosto da comida

Roubam, para matar
atrás da porta, a vida.

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