Segunda-feira, Maio 23, 2011

Sem valor

Não deixarei grandes coisas
apenas livros
velhas histórias
palavras amontoadas
sensações difusas
sem valor no mercado

Deixarei penas
e poemas
depositórios de crenças
sem grandes expenças
tranças dependuradas
em ombros de boneca feia

Pouco que valha um centavo
lembranças substituídas
rotas mercadorias
sem proveito de bazares
deixarei apenas relances
do que será minha existência

E na despedida, ouvirei
'para que serviu, então
toda poesia, se na terra
se respeita quem deita
sobre indelével riqueza?'

Talvez algo às pedras
signifique minha fortuna
aos rios e às rãs
aos jacarés talvez sirvam
meus versos modestos
minhas aflições desmedidas

minhas dúvidas crueis
e  dívidas com a vida
meus ânimos desbotados
estirados numa esteira
nada que valha moeda
no burburinho da feira.

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