Sábado, Abril 23, 2011

Ao Mar (em construção)

Nunca te fiz um verso
nunca beijei tua face
não te dei em troca
o equivalente ao que me deste

Não eram minhas as mãos que te tocavam
nem meus os olhos que contemplavam
teu vigor, ao tentarem copturar-te a essência
Não foram meus os sentidos que tragaste

Tive medo de tua vaga
teu som me foi terrível
pesadelo em vez de gana
Inutilmente, corri de ti o quanto pude

Eis-me aqui, abarrotado de vontade
aqui, onde moras resoluto e consequente
Neste instante, engasto-te um retrato
na escuridão de profunda ignorância

Em tuas costas, panças de barcaças
solidário que és às criaturas
Embora em ti morramos afogados
És dono de bonança misteriosa

Caricatura de deuses em movimento
amparas bilhões de anos na memória
e as almas por ti engolidas
recebem esta entre tuas amantes

Sabe que a ti ainda nego meu destino
por isso mesmo percebo-me idiota
Tanto é forte tua voz quanto teu sopro
   Hei de dobrar-me, em reverência.

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