sábado, 19 de junho de 2010

Mãe da poesia

Há uma dor e ela permanece 
oculta, lastimável nas entranhas,
em pesadelos, ave monstruosa,
senhora da fadiga. É esta a dor

que soletra um perene alarido ao poeta,
seca-lhe a garganta, borra seus sentidos

Fecha a estrada para outros versos,  
que não aqueles mesmos versos tristes.

Se a dor é mãe da poesia
de onde florescem áridas sensações

por estas, ao poeta o ressarcimento
e seus enfeites do caixão, no último dia

O poeta opera beleza com
padecimento
em face dela, o que resta é fantasia


Vale mais a memória d'um artista
que novas e utilíssimas tecnologias.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sonhos Meus

Escapam iluminados
de mil compartimentos
escondidos sob os véus
de memórias e desejos

Tesouros da alma expostos
quadro a quadro articulados
numa tela escura, lá dentro
ecoando seus ensinamentos

São meus os sonhos
suas ficções são minhas
cheias de mim mesmo
aludem a realidades

Uma criança carrega o pai de cem quilos
Manto vermelho trespassa corpo de Cristo
Frágil menino em bolsa de abertura oblíqua
Sangue verte da vagina de mulher incógnita

Agarrados aos símbolos
cortantes reverberações
de lâminas e correntes
em intrigantes concertos

Recobram-se minhas vontades
ainda que surrada, surpreendida
a mente retoma procedimentos

Graças ao Deus que se esconde
em meus recônditos e se solta
para me dizer certas verdades.