segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Agora o que serei amanhã

Um sabor de vinho na lembrança,
uma saudade e a indignação
com um douto vaidoso e superficial.





Eu sou o futuro de mim mesmo
tenho meu eu bem à vontade
a tantas anda minha memória
com turbinas de foguete nos sapatos

Meu corpo é retrato do que sinto
minha beleza é um corte de cabelo
meu gesto dá palavras à minha voz
meu verbo agiliza a digestão

Comprei um pênis no mercado de instrumentos
troquei uma mão por um par de largas asas
moldei um olho a partir de água pura
em minha testa injetei cinco neurônios

A boca acende uma lanterna vibrante
orelha toca música de elevador
na barriga um animal de estimação
na perna um filho espera o seu dia

Eu não coincido com imagem de cartaz
não tenho supridas minhas necessidades
torno-me melhor se me transplanto
e incorporo uma flor ao meu flanco

Cale seu discurso, sua previsibilidade
João no circuito e a Teresa na escuta
Não preciso de sua ciência, graças ao deus
que plantei nas pontas dos meus dedos

Além da mente o sonho
que meu corpo revela
pela roupa transparente
agora o que serei amanhã.

domingo, 11 de novembro de 2007

Moral do fim de semana

Ao jovem homem português

Dançar
desde que haja no ambiente
menos monóxido de carbono
e uma música nada áspera

se levar uma mulher consigo
certifique-se de seu conforto
nos pés, lábios e cerebelo
sem entorpecimento

vibrar
para soltar sua influência
pelos que estão no conjunto
sem parar de dançar

mover
cabeça, braço e cintura
abraçar a mulher e girar
que o prazer vem do agito

Tudo existe em um ritmo
vigiar, para que de sua presença
ecoem os mais perfeitos gestos
a expandir o sentido da raça

zelar
não se ocupar do ensino
de sujas artimanhas
concentrar-se no que é bom

sorrir
para que sua luz se espalhe pela pista
e as pessoas a sorrir também
deixem-se ir com você a dançar.